domingo, 6 de janeiro de 2013


Outros valores

Wellington Miranda

Como é belo a mutabilidade humana. Por sermos mutàveis, em cada estaçao da vida podemos ter o privilégio de aprender, sentir o que nao sentìamos e talvez abandonar aquilo que nao nos deixava prosseguir. Liberdade que pode gerar vida, conflitos que podem produzir paz.
A cada passo, a cada tentativa, a maturidade de adulto e a simplicidade  de criança. Sim, porque sò a simplicidade da criança é pura o suficiente para faze-la tentar quantas vezes for necessàrio. É na simplicidade dela, que o perdao reaparece e que a beleza persiste. E por reconhecer a beleza, é que ela (a criança)sempre estarà mais perto de Deus do que os adultos. 
Alguns (ou até mesmo eu), podem pensar que estou ficando velho. Nao me importo! Se velhice for o reconhecimento de valores nunca vistos, humildade para aprender com o proximo e sabedoria para navegar em bravas àguas, quero ter orgulho de atingir a velhice!
Prova disso, pode ser a extrema sensibilidade em que me deixa o contato com alguns amigos, alguns lugares e uma certa pessoa...Bastam me contar uma història, compartilharem uma boa noticia ou um sofrimento, e jà percebo o tremer de meu queixo. Respiro cada rua, observo cada passo, dou valor a cada pedra – quanta historia pode conter. Nas janelas velhas com flores coloridas, noto a tentativa, daqueles que sao verdadeiros lutadores da vida, de vencerem mais um dia, tentarem um pouco mais.
Nos bares, sorrisos marotos, conversas terapeuticas, socializaçao de problemas, discussao de idéias, sonhos a serem alcançados. Das inumeras tentativas desenganadas pode surgir uma nova història, um novo horizonte, aonde os fracos nao terao vez e os pessimistas, apenas olharao.
Jà nao me empolga mais a idéia de “vamos conquistar o mundo”. Pra que? Que tal ensinarmos dignidade, ombridade e amor? Do mais...tudo se farà! Que as pessoas possam perder o medo religioso e procurarem um terapeuta, um analista! É verdade, nao sei quem sou! Se  um viajante, um falcao, uma tempestade ou um grande canto...
Por nao saber quem somos, vamos nos tornando. Sendo...
Assim, “caminhando e cantando seguindo a cançao”. E por falar em cançao, quantos mais nao conseguem escutar o pròximo, o filho ou até mesmo a pròpria musica? Contaminados pela severidade do conquistar, passam despercebidos pela sua emoçoes. O contato consigo mesmo nao existe. Olhar pra dentro pode ser insuportàvel e opinar por resoluçoes responsàveis, podem fazer com que a zona de conforto seja atingida.
Desconforto pode sinalizar desejo por algo, mudança de atitute. Paixao a ser vivida, amor a ser alcançado, satisfaçao no que faz. Medo do que nos domina? Talvez... combinaçao de vento e barco a vela! Sem fim... Se for pra ser prisioneiro, que sejamos prisioneiro de nòs mesmos, condenados pelos atos conscientes e corajosos daquele que tentou, nao recuou. Nao meu caro, nao tente esquecer quem voce é ou o que fez. Use aquilo que é para se tornar melhor e aquilo que fez, para ser exemplo de como nao se deve ser!
Ego que nos mata, amor que nos trata. Aonde foi ruìna, faça um paraìso! Renasça de onde for e como estiver. Nao tenha medo de revelar a dor, ela expressa a mais profunda expressao! Amor e sofrimento caminham de maos dadas...Dance ao invés de se firmar! O mundo nao precisa parar para voce descer, talvez voce precise escolher algumas coisas e descer delas! Queime pontes, peça perdao, cometa erros. O aprendizado é o fim em si mesmo. Livre-se do abandono e da solidao.
Valorize o que parece ridìculo e nao deixem comprar seu olhar. Veràs mais além, que tudo faz parte do ridìculo. A vida? Sempre pedirà mais de nòs... Chega de fingir! Lance as màscaras, viva por aquilo que vale a pena e ame. Ame muito acreditando no final feliz, senza paura dell’a felicità! O mal nao tem espaço naquele que ama...
Abrace, ande de maos dadas. Beije sem vergonha (no bom sentido). Diga bom dia mesmo para aqueles de cara feia! Sorria! Pratique boas maneiras, escute! Sim, é verdade que o céu se escurece quando nos decepcionamos, mas virao as flores, a noite estrelada e o mar azul...Ah o azul do mar...
O tempo passa e com ele, vidraças podem ficar despedaçadas ou restauradas. Nao precisamos perder um ao outro para nos encontrarmos! Que os nòs sejam desatados, segredos desvencilhados e os dedos tocados. Cale-se mesmo tendo razao... Nao viva por viver! Ache um sentido, abandone o medo do olhar e se rodeie de amigos, quanto mais, melhor! Viaje, conheça paìses, culturas, bairros, diversos do habitual. Estrada de ventania...
Faça uma festa e “convide as luas cheia, minguante e crescente”. Seja reconhecido por seus valores, conte consigo mesmo! Sonhos! Muitos sonhos...eles nao envelhecem.
Hà de chegar sua hora! De baixo do sol, coisas boas e ruins podem nos acontecer. O amor faz chorar, mas nos alegra! Ouça a voz do coraçao, levante a cabeça e marche! Marche de cabeça erguida e em direçao ao alvo! Faça planos. O sol chegarà! Vale chorar e sorrir. Eis a vida: uma junçao de coisas simples que podem se tornar as mais sofisticadas...

Sonhos nao envelhecem

Wellington Miranda

“...porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos e sonhos nao envelhecem...”
Quem nunca escutou, que escute! O tema, é parte de uma musica escrita por Milton Nascimento, Lo Borges e Marcio borges. Simplesmente bela...
Para viver precisamos de sonhos. E quem sonha, nao dà espaço para o medo e convardia. Exemplo disso, é nosso tao conhecido personagem bìblico Calebe. Muitos conhecem a història.
À porta de Canaà, Moisés envia 12 espias. Dos doze, dez voltam impressionados, mas amedontrados por causa dos gigantes!  Os dois que realmente creram que valia a pena lutar, expulsarem os gigantes e tomarem para si a terra prometida, foram Josué e Calebe. Mas infelizmente, o povo sempre segue a maioria e assim, os dez desistimularam todo o povo! Resultado: esse povo teria que marchar até a segunda geraçao, pois a presente, nao entraria na terra.
Israel deixou o Egito depois de 400 anos de escravidao. Sempre movida pelo braço de Deus e sonho de Canaà! E nessa nova geraçao, jà nao era mais Moisés o lìder  e sim, Josué, parceiro de Calebe. Homens que creram, sofreram, sonharam e conquistaram. Ao contràrio do que muitos pensam, sonhos nao estao isentos de sofrimento.
E diz as escrituras, que apòs 45 anos de espera, Calebe foi a Josué reivindicar seu sonho: Ebrom. Terra muito importante para Israel, pois foi ali que Abraao construiu um altar e sepultou Sara, mae de Isaac. Apòs 45 anos, um novo encontro entre dois amigos e segundo Calebe, sua força ainda era igual àquela da época, com mesmo vigor e sede de conquista.
Sonhos nao envelhecem...
Vivemos dias de crise, dias sombrios, dias incontrolàveis e imprevisìveis. O futuro nos parece assustador. Violencia que aumenta, tragèdias de guerra, fome em paìses miseràveis. Mas penso que dentre todas as tragédias, as mais presentes sao a desesperança, falencia de sonhos, desistencia e acomodaçao com mera sobrevivencia! Se ao menos conseguirmos sobreviver, estarà bom...
Diferente do que assistimos hoje, Calebe estava apegado a um sonho! Enquanto transitava pelo deserto, tinha a certeza que ali nao era a palavra final, nao era o teu lugar de morte! Que um dia pisaria em Ebrom. Deserto para quem sonha é temporàrio, é noite de choro. Passa... é justamente essa convicçao que nos faz atravessar os altos mares, os grandes desertos. Crer em algo no futuro, esperança que se move!
É o sonho que nos anima pela manha de segunda feira, que nos dà senso de direçao, pois quem sonha sabe para aonde ir e o que precisa fazer para chegar “là”! Quem tem um sonho, tem um bom motivo para fazer dieta na segunda, exercicio, treinar com espada. Por que? Porque para conquistar o Ebrom é preciso lutar, enfrentar. Para a conquista de sonhos, precisamos estar inteiros, prontos, com o minimo de equilibrio mental e fìsico! Quem tem um sonho, tem maior controle sobre as coisas e boa razao para os sacrificios que ele exigirà...
Penso que todos nòs devemos ter um Ebrom. Para chegar là, coisas terao que ser deixadas para tràs. Minha disciplina serà exigida; minha perseverança, real.  E saibam: sonhos doem! Por isso os sonhos devem ser maiores do que a dor. Nao è deixar a vida me levar! É voce levar a vida, por cabresto nela! Somente quem tem um Ebrom sabe porque deve sacrificar...
Recentemente li um livro (nao sei se tem em portugues) que se chama  “Il Farmacista di Auschwitz”. Nos campos de concentraçao, algumas pessoas se voluntariavam para morrer, pois nao tinham forças para prosseguir. Nao podemos julgà-las. Mas as que tinham esperança alèm do campo, de alguma forma viviam mais. A  esperança as mantinham vivas! Entre um cigarro ou um cadarço para a bota, as que tinham esperança escolhiam o cadarço e nao um prazer momentaneo que o cigarro oferecia. O cadarço no inverno, serviria para fechar as botas, impedir o frio. Sonhos...
Quem tem um sonho, um Ebrom, tem consciencia ao dizer sim para algumas coisas e nao para outras. Sonho nas maos de alguns, sao apenas sonhos. Nas maos de outros, desejo a ser conquistado e nas maos de Deus, algo que vira promessa! E promessa de Deus,  nao deixa de ser cumprida.
Um brinde aos que sonham! Um altar para os que sonharam e uma làgrima aos que desistiram...

“...e là se vai mais um dia...”

sábado, 5 de janeiro de 2013


O mal a si mesmo

Wellington Miranda

Nascemos e aprendemos ràpido o que é certo ou errado, bom ou mau, viàvel ou inviàvel.
Quando criança, nos ensinam que o buraco da tomada dà choque e que brincar com uma onça pode significar a morte. Assim, também nos ensinam a ter medo das coisas, animais e até de pessoas como um meio de sobrevivencia.
Considerando o que aprendemos de bom, podemos dizer que nos estragamos quando fazemos justamente aquilo que vai ao contràrio. Alguns dirao que é relativo, eu vos digo que é fato!
Fazemos mal a nòs mesmos:
Quando deixamos de orar para ficar assistindo ao que nao presta. Isso nos afastarà de Deus, aquele que  nos criou. Quando damos atençao exagerada ao medo e as maneiras mesquinhas de pensar. Quando nos tornamos viciados em qualquer coisa que nos escravise ( sexo, pornografia, drogas, facebook, internet, mentira, hipocrisia, corrupçao, etc...). Quando deixamos de rir, considerando que o sorriso contribui para a criatividade. Quando acreditamos que dinheiro nos traz felicidade e que os momentos de prazer sao eternos.
Fazemos mal a nòs mesmos:
Quando por pensar que nao tem jeito, nos rendemos ao jeito errado, imoral, anti-ético. Ao achar que por muitas coisas ruins acontecerem conosco, somos amaldiçoados e desgraçados, desistindo da vida. Quando por medo de sofrer deixamos de tentar, avançar. Quando passamos mais tempo vendo noticiàrios do que lendo um bom livro. Quando achamos que a culpa sempre é do outro e que o mundo inteiro està contra nòs. Quando passamos a ter certeza que somos melhor que o outro, que o que fazemos tem mais valor e que por isso, merecemos mais, esquecendo o que jà fizeram por nòs.
Fazemos mal a nòs mesmos:
Quando pouco a pouco nos distanciamos dos filhos, nao dando atençao devida e ouvido necessàrio. Sem saber, contribuìmos para sua busca de informaçao e desabafo fora do lar, no ombro de qualquer outro... Quando nao dizemos o “nao” necessàrio e na hora devida por receio do que os outros pensarao! Quando nao abandonamos os maus hàbitos e nem incorporamos novos. Quando nao exercitamos o bom humor, a tolerancia, a afetividade e o perdao.
Fazemos mal a nòs mesmos:
Quando levamos vantagem ilìcita sobre o pròximo, usufruìmos do dinheiro ilìcito e nao denunciamos as falcatruas atràs dos lençòis polìticos que nos prometem uma “vida melhor”. Quando ao invés de recorrer à cruz, recorremos às pessoas! Quando ao invés de me aconselhar primeiro com o Pai, peço opiniao aos invejosos, pessimistas e desmotivadores. Quando acreditamos que a mentira, fofoca e avareza sao menos prejudiciais que os pecados sexuais enfatizados pela religiao. Quando cremos que somos capazes de resolver problemas sem a ajuda de um outro!
Fazemos mal a nòs mesmos:
Quando nao cultivamos hàbitos que nos promovem saude fìsica, espiritual e mental. Quando acreditamos que casamento, famìlia e vinculos amorosos sao coisas do passado, valores ultrapassados e coisificamos a vida! Quando nos entregamos à opressao do dia ao invés de um bom deleite com uma bela cançao. Quando vemos experiencias ruins como fracasso e tentativas que nao deram certo como frustraçao!
Fazemos mal a nòs mesmos:
Quando por preguiça, deixamos de cumprimentar o nascer do sol e seus raios que brotam no horizonte, abrindo mao de mais um dia...Quando nao deixamos nosso coraçao ser inteiro do Senhor e assim,  nos afastamos de seus estatutos e nao guardamos seus mandamentos, permitindo que nossa alma se perca ou ainda, se estacione em lugares incertos ou inconvenientes. Quando dizemos que amamos a Deus, mas odiamos nosso pròximo! Pois quem nao ama a seu irmao, ao qual ve, como pode amar a Deus, a quem nao viu?

Fazemos mal a nòs mesmos...



Il tempo che vorrei

Wellington Miranda 

Dentre muitas coisas que aprendi na Itàlia, uma delas foi envelhecer... Como é belo uma velhice com sonhos, atividade e vida!
Diz a bìblia que hà tempo para todo propòsito debaixo do cèu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou...

Penso eu, que uma das manifestações de sabedoria é a compreensão do tempo próprio para cada coisa. A condição humana faz com que cada pessoa construa sua vida em várias etapas, da maneira que elege. E a passagem de cada um por este mundo vai mostrar o que ele fez com as oportunidades, os recursos, e os "talentos" que Deus distribuiu a todos.

Dizem que a idade madura é aquela em que florescem todas as capacidades; aquela em que as pessoas em geral se sentem poderosas, constróem pelo menos parte daquilo com que sonharam durante longos anos. Pode ser o tempo profissional, espiritual ou amoroso...

Tomàs de Kempis: “lembra-te sempre do fim e que o tempo perdido nao volta”.

É difícil estabelecer exatamente o que significa usar o tempo com sabedoria, viver cada momento de maneira ponderada e sábia. A verdade é que a vida é toda feita de momentos, cada qual com seu encanto, sorrisos e lágrimas.

O povo de Israel, viveu no deserto, do Egito a Canaã. Tanto o perigo dos exércitos do Faraó e a inclemência do sol escaldante, quanto as delícias da providência de Deus, nem sempre consciente de que a travessia, mesmo que dure quarenta anos, é efêmera.

Quem sabe lidar com o tempo, com o envelhecimento, hà de vivenciar o maná no deserto de Sim, a água que brota da rocha em Meribá, sem esquecer que o melhor virá depois, além do Jordão, na terra que "mana leite e mel".

Mas ao contràrio do que acontece no oriente, nossa sociedade, em geral, despreza os velhos.
Talvez pelo aumento do número de anciãos, por meio dos progressos da medicina; talves mais provavelmente pela cultura materialista, que valoriza a produçao! Ou seja, o produto vale mais do que a pessoa que o produz!

E como sao visto os velhos, ancioes? Como aquele que nada produz! Como aquele que tem que ser suportado pela sociedade! Se esquecem que o velho jà foi jovem, e que muito provavelmente, o jovem se tornarà velho! Sociedade que despreza os velhos, é desumana! Infelizmente, a prioridade sao coisas e nao pessoas! Jesus ensinou ao contrario: que as pessoas valem mais que as aves do céu...

Se lembram do filme infantil Horton e o  mundo dos quem? Quem nao assistiu que assista... Dizia que uma vida é uma vida e nao importa o tamanho! Sim! Nao importa o tamanho, o sexo, a cor e a idade! O autor de Eclesiastes (talvez Salomao) diz que Deus pos a eternidade no coraçao do homem! Que belo! O que è belo? A capacidade de equilibrar a harmonia entre o vigor e ousadia; experiencia e ponderaçao.

Cada ser tem seu espaço nesse mundo e para tal, nao precisa matar o pròximo, brincar com sentimentos, gerar violencia... Na verdade, aprendi também, ver beleza na velhice! “...se a juventude soubesse, se a velhice pudesse...”

As rugas, as maos calejadas, o olhar cansado e distante, os cabelos brancos, a voz mansa e lenta. Quanta història, quanta beleza...

Vinicius de Moraes que o diga:
“Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente
Olhando as coisas através de uma filosofia sensata
E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite.
Nesse dia Deus talvez tenha entrado definitivamente em meu espírito
Ou talvez tenha saído definitivamente dele.
Então todos os meus atos serão encaminhados no sentido do túmuIo
E todas as idéias autobiográficas da mocidade terão desaparecido:
Ficará talvez somente a idéia do testamento bem escrito.
Serei um velho, não terei mocidade, nem sexo, nem vida
Só terei uma experiência extraordinária.
Fecharei minha alma a todos e a tudo
Passará por mim muito longe o ruído da vida e do mundo
Só o ruído do coração doente me avisará de uns restos de vida em mim.
Nem o cigarro da mocidade restará.
Será um cigarro forte que satisfará os pulmões viciados
E que dará a tudo um ar saturado de velhice.
Não escreverei mais a lápis
E só usarei pergaminhos compridos.
Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos.
Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio
Cheio de irritação para com a vida
Cheio de irritação para comigo mesmo.
O eterno velho que nada é, nada vale, nada teve
O velho cujo único valor é ser o cadáver de uma mocidade criadora.”

E foi aprendendo com a velhice daqueles que convivi, ouvi e li, que decidi nao passar a minha, longe dos meus! Assim, tornaremos ao Brasil e aos que conosco querem envelher! E na magia de criança e corpo de velho, caminharemos de maos dadas, ainda que um dia elas se mostrarao tremulas. Aprendendo simplesmente a contar os dias, para que assim, venhamos alcançar um coraçao sàbio!

 



Era uma vez...

Wellington Miranda 


Era uma vez... numa terra muito muito distante, uma rainha que se chamava Vasti, casada com o rei Xerces, que durante uma grande e bela festa, e claro, muito alcool (o suficiente talvez para estragar o evento), foi chamada para fazer um desfile para os homens que estavam ali, pois Xerces, queria expor a beleza da esposa!
A rainha, esperta ou burra, ainda nao sei, desobeceu as ordens do rei dizendo “Nao”. E como sabemos, quem tem autoridade  nao gosta de “ser peitado”. Assim, a confusao estava criada! Pedido negado ao rei, divorcio na certa! Por receber um “nao” de uma rainha, o rei se sentiu ameaçado, e como muitas vezes tambèm nos acontece, foi aconselhado por pessoas que preferiam o divorcio a uma outra tentativa de negociaçao matrimonial, sem contar que com tal decisao da rainha, as outras  mulheres poderiam se rebelar contra seus maridos...
Noticia ruim que é noticia ruim, se espalha ràpido. E logo, todos sabiam que Vasti havia perdido a coroa, e a ordem, decreto e liçao do rei às mulheres, era que todas deveriam obedecer ao esposo!
Rei que è rei, nao fica sozinho! Fizeram uma seleçao para quem seria a futura rainha junto a Xerces. Como dizia Vinicius de Moraes: “as feias que me desculpem, mas beleza è fundamental”. Dito e feito! A ganhadora do concurso: Uma linda ragazza judia chamada Ester!
A història é grande, nao é a toa que a biblia dedica um livro inteiro chamado Ester. No meio dessa història toda, aparece um homem de confiança do rei chamado Hama. E é justamente dessa relaçao entre Hama e sua esposa, que gostaria de vos falar. Ou melhor, escrever.
É verdade que em toda relaçao existe problema, porèm, alguns sao causados por imprudencia e conselhos errados. Muitos casamentos tem se desfeito, por pensarem que aqueles que estao proximos, nos querem o bem. Diz a bìblia que a mulher sàbia edifica o lar e a tola, destròi! É verdade! Que mulher nao gostaria de ter uma amigo proximo do rei, aonde toda autoridade delegada poderia ser usada como bem quisesse. Algumas, prefeririam que o marido fosse o pròprio rei. Mas o desejo economico exarcebado, o prestìgio social e a desvalorizaçao do outro, podem acabar mal, confirmando a falta de sabedoria de uma mulher.
Hama, general do rei, estabelece agora uma ordem que todos deveriam se dobrar perante ele quando passasse! E tambèm estava planejando um grande massacre contra os judeus, porque Mardoqueu, tio da atual rainha, se negava a curvar-se frente a ele. Aliàs, a bìblia esta cheia de historias sobre  homens corajosos que se negavam a curvar-se frente àqueles que iam contra os princìpios de Deus.
Obssecado com a idéia do poder lhe ortogado, compartilha os fatos com sua esposa apòs um longo dia no reinado, a qual, ao invés de repensar e conversar sobre o que estava acontecendo, mostrando prudencia e equilibrio  no casamento, faz justamente o inverso: o estimula a matar, participar de jantares com rei, bem como, a qualquer custo, fazer aquilo que de melhor vos serve, ainda que a cabeça de outros pudessem rolar... ainda que nem o rei ficasse sabendo de suas reais intençoes...
Mulher sàbia fala na hora certa, promove ambientes corretos, ocupa o verdadeiro papel de esposa  e quando se hà filho, torna-se referencia em teu crescimento.
Ester, através de Mardoqueu, ficou sabendo do futuro massacre que poderia ocorrer com o povo judeu e entao, resolveu falar com rei! E pra falar com o rei, nada melhor que um jantar. Convite feito ao rei, mas também à Hama! O que um homem pensaria se fosse chamado para jantar com o rei e sua esposa? Que é o melhor! O “bam bam bam”. Obsessao pode cegar!
Jantar marcado, forca preparada! Acontece que o “sabichao” Hama, contando com o ovo no anus da galinha, jà havia preparado sua pròpria forca, sem saber! Pensando que mataria Mardoqueu, resolveu fazer uma grande forca e deixar preparada para quando o capturasse! Numa relaçao de casamento, aonde nao hà equilibrio, o fim pode ser fatal!
Na mesa com o rei, Ester declara as intençoes do proprio Hama! O rei assustado com tal atitude e outras “cositas a mais” que aconteceu naquela hora, resolveu puni-lo com a morte!  E qual morte? Morte de forca! Em sua pròpria forca, foi enforcado!
Detalhes poderao ser lidos no livro de Ester...
Mas escrevi tudo isso para poder concluir:
- o quanto é fundamental recebermos outras opinioes de pessoas sensatas e principalmente de Deus! E como fazer? Compartilhando suas idéias com aqueles que tem certeza que querem seu bem: com seu analista, com seu pastor, com seu padre, seu amigo...
- que num casamento, é fundamental um ajudar ao outro a raciocinar sobre suas futuras atitudes e consequencias vindouras! Entre Hama e  sua esposa, isso nao havia.
- casamento sem equilibrio pode gerar um orçamento doméstico catastròfico. Sonhos que seriam bençao, poderao se tornar em frustraçoes e dìvidas. Faltou isso na relaçao de Hama! Assim como falta hoje na relaçao de muitos casais.
- atè nas bençaos, o casal deve ter prudencia! Seja no financeiro, emocional ou espiritual!
- é melhor reconhecermos que nao somos nada, a pensarmos que somos o tal, o poderoso! Esposa que estimula a amaldiçoar os outros, é relaçao fracassada! “...aprendei-vos comigo, que sou manso e humilde de coraçao...”, disse Jesus.
- que se houvesse espiritualidade na mulher de Hama, a història poderia ter sido outra! Um lar aonde reconhece que o casamento è uma instituiçao divina, que os desejos e sonhos devem ser buscados de joelhos e com Deus acima de tudo, e ainda, que a busca de sabedoria e nao de coisas é fundamental para a saude familiar, é um lar equilibrado, belo e emocionalmente sadio!
Que nao nos tornemos escravos de nosso proprio desejo!
Dio vi benedica!