segunda-feira, 31 de maio de 2010

"...tristeza não tem fim..." Felicidade sim?

Wellington Miranda





Das clássicas proposições filosóficas aos atuais manuais de auto-ajuda, passando pelos trabalhos científicos e as construções utópico-ideológicas predominantes no século 20, a verdade é que o ser humano ainda não conseguiu dar uma resposta definitiva e satisfatória sobre o que é ser feliz e como conseguir sê-lo.



Os seres humanos por serem desejantes, seres de linguagem, são condenados a sentir, primeiro mal-estar e angústia, depois por serem impulsionados para algo que se supõe trazer a felicidade, um estado de completude, de não falta.



É certo que a necessidade quando preenchida leva o sujeito a obter a sensação de satisfação. Mas, não o leva o leva sentir-se feliz. Isto acontece porque “o desejo, jamais é satisfeito" (GARCIA-ROZA: 144)



O desejo jamais é satisfeito porque tem origem e sustentação da falta essencial que habita o ser humano, daquilo que jamais será preenchido e, por isso mesmo o faz sofrer, mas que também o impulsiona para buscar realização – ou satisfação parcial – no mundo objetivo ou na sua própria subjetividade (sonhos, artes, projetos utópicos, fé, etc).



Acredite ou não, na dimensão concreta da realidade, jamais o sujeito poderá conquistar a felicidade. A realidade do mundo, dos acontecimentos e dos fatos, sempre frustra nossa capacidade desejante de preenchimento ou a sensação de ser feliz.

Portanto, não podemos associar a satisfação das necessidades com a felicidade.

O desenvolvimento biotecnológico parece prometer uma felicidade que não se cumpre (vide o alto índice de depressivos, apesar do Prozac).

A psicanálise não ensina o sentido da vida, mas ao questionar sua história e suas escolhas, permite ao sujeito encontrar um sentido para ela, do que possa ser as felicidades possíveis, sendo ele o autor de sua própria história. Dando um pouco de descanso a Deus e menos culpa ao diabo!

A felicidade não pode ser produto de uma alienação, enganação ou delírio! Os recentes estudos sobre a felicidade apontam que ela será inventada por um sujeito que aprendeu a conhecer melhor a si próprio e o mundo em que vive.



Em vez de ficar obsessivamente buscando “a” felicidade, deveríamos sustentar uma certa “alegria de viver”, e que pudesse ser irradiada para também animar o próximo. Isso também serve para aqueles que se preocupam mais em diagnosticar, a tratar certas enfermidades psíquicas e físicas.

Coisas simples, como por exemplo, este trecho da música Corcovado – de Tom Jobim:



Um cantinho, um violão

Este amor, uma canção

Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar

E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o corcovado

E o redentor que lindo!



Canto, violão, amor, calma, sonhos, visão... situações que nos deixam felizes. Simplicidade...pôr do sol, nascer da lua...



Enquanto brilhar no ser humano a esperança, a felicidade é possível, não como algo posto no futuro mas como algo que acontece no dia a dia, embora nem sempre consigamos perceber.



Contudo, aprendi a ser feliz em Cristo, pois quem está Nele não morre!



Que Deus lhe abençoe...............e lhe ensine a ser feliz!

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