segunda-feira, 31 de maio de 2010

Uma só carne?

Wellington Miranda


Tenho percebido ao longo do tempo, quão difícil está sendo para as pessoas assumirem seus próprios erros, pontos fracos e o quanto necessitam de mudança.



Também tenho visto em meu consultório casais destruídos e egoístas que só pensam em possibilidades de mudanças, a partir da atitude do cônjuge e não dele, primeiramente.



Ando a me perguntar do porquê de tanto medo de uma mudança! Não dão o braço a torcer e quando cedem, sentem-se como fracassados e submissos. Como se fossem capturados pelo outro. Talvez daí a idéia errônea de que casamento priva a “liberdade”. A relação que poderia ser saudável, de cumplicidade e sinceridade, parece ter tomado uma nova dimensão.



Tudo está perdido? Não. Se há motivos pelos quais nos preocupar, há também soluções e essas vêem do mesmo terreno de onde surgem os problemas.

Monólogos articulados, portanto, tomam o lugar dos diálogos compreensíveis, em nossa época.

Em algum lugar Lacan chegou a dizer que não adianta a ninguém trocar de família, especialmente de pais, imaginando que terá seus problemas resolvidos. Eles reapareceriam iguaiszinhos se isso fosse possível. Digo que com o casamento, o mesmo também pode acontecer.

Por não reconhecerem a necessidade de mudança, as pessoas se separam e vão buscar o tão idealizado parceiro em outra relação! Não sarados de suas feridas e não dispostos a mudarem vossos comportamentos, não conseguem estabelecer uma relação duradoura e assim, o comportamento de pular de “galho em galho” se repete, mostrando o quanto nossa sociedade tem banalizado o casamento, a relação conjugal e o inicio da instituição chamada família.

Querem saber a todo o momento o por quê do outro não mudar! Entre começar uma mudança a fim de salvar uma relação ou afundarem a relação por resistirem ao início da mudança, optam pelo naufrágio da relação!

Não há nada a se compreender na delícia de um banho de cachoeira, na preocupação de um pai com um filho, na declaração de amor: Eu te amo. Não há nenhum por que, e se fosse explicado, perderia o sentido do afeto. Uma frase de união de um casamento poderia ser: “E que fiquem juntos até que a compreensão vos separe”. Não se pode entender o amor...

Se o sujeito é sempre responsável, não haverá sujeito sem responsabilidade.


Pois bem, o homem desbussolado continuará sem rumo se não lhe oferecermos a responsabilidade frente ao acaso, a surpresa, enfim, frente a seu inconsciente, à família e ao casamento. É dessa responsabilidade única e individual que muitos tem se afugentado.

Lacan apostava que seria possível tocar no ponto íntimo de vergonha do analisante (aqueles que fazem análise); não vergonha social frente ao outro, mas uma vergonha íntima sem a qual a vida fica nua, sem qualidade, desqualificada. A família é a primeira intimidade de cada um, sua “extimidade”, se preferirmos o trocadilho de Lacan. A família funda a “extimidade” de cada pessoa.

Concordo com Lacan, mas busco em Deus a sabedoria e aceito sua ordenança como um bálsamo que trás refrigério às relações, pois assim nos disse: “...deixarás o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne...”

Que Deus lhe abençoe .................e que você não se intimide ao precisar de auxílio!

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